Você está criando ou destruindo valor no seu negócio?

A mentalidade que diferencia empresas comuns das extraordinárias

Por que você deve se preocupar com o valor do seu negócio?

Seja você um executivo ou empreendedor, você deve trabalhar sempre tendo em mente a criação de valor, tanto para seus clientes quanto para os acionistas. Se você for um funcionário da empresa, você ganha de diferentes formas em ter essa visão. Primeiro porque ajuda a trabalhar o olhar de dono, um atributo que qualquer empreendedor quer que seus colaboradores tenham e isso vai te ajudar a galgar posições dentro da empresa. Segundo, isso te ajudará caso um dia você pretenda ter a sua própria empresa também.

Ainda assim, muitos empresários não incorporam no dia a dia o questionamento perene e essencial: minhas decisões estão aumentando ou reduzindo o valor da empresa? Cada tarefa executada, cada decisão tomada impacta direta ou indiretamente esse valor.

Vamos a um exemplo prático: imagine que o proprietário de uma consultoria de marcas recebe de um funcionário direto uma dúvida sobre como responder a um pedido de orçamento de um potencial cliente. O empresário prontamente assume a tarefa e gera a cotação pessoalmente. A curto prazo, o problema foi resolvido, o cliente fechou negócio e a sensação de dever cumprido gera uma descarga de dopamina, o neurotransmissor da satisfação, o prêmio que nosso corpo produz para incentivar a conclusão de tarefas.

De fato, existe valor criado para o negócio fechado no curto prazo, mas devemos olhar com lentes maiores. Olhando para a questão temporal, será que no longo prazo essa atitude foi boa? Tomando em consideração a atitude que a maioria dos líderes tem em querer tomar a frente de todos os problemas e resolver por si só, isso não ajuda a valorizar o seu negócio.

Quanto maior for a dependência de um negócio em seus líderes, menor será o seu valor de mercado.

O que realmente determina o valor de uma empresa?

O valor de uma empresa está diretamente ligado à sua capacidade de gerar caixa no futuro. Não basta analisar o faturamento passado ou as vendas atuais — embora importantes, a maior parcela do valuation vem da projeção da geração de receita a longo prazo. O que você está fazendo hoje que garantirá receita e fluxo de caixa no futuro?

Um dos métodos de avaliação de empresas, inclusive estudado nos cursos de MBA, é chamado de Fluxo de Caixa Descontado (FCD). A depender do caso, projetamos o fluxo de caixa em 5, 10 ou mais anos e descontamos a uma taxa ponderada encontrando o valor presente da empresa. Sendo assim, quanto maior for esse fluxo de caixa futuro, maior será o valor da sua empresa hoje.

Dito isso, voltando ao exemplo anterior, ao assumir pessoalmente a responsabilidade pela cotação, o dono da consultoria de marcas não contribuiu com a criação de valor a longo prazo. Afinal, da próxima vez que o funcionário enfrentar um desafio parecido, ele continuará dependendo do gestor. E se o empresário não estiver disponível?

Outra oportunidade de melhoria é que o conhecimento poderia estar estruturado nos processos, e apenas nas pessoas. A implementação de um fluxo automatizado para geração de cotações, com critérios claros e variáveis de entradas definidas, reduziria essa dependência, melhoraria a eficiência operacional e tornaria o negócio mais valioso. Com esses processos bem formatados, o conhecimento é transferido de uma pessoa para outra dentro da empresa de forma mais fluida. Isso é criação de valor.

O que torna uma empresa atrativa para compradores?

Mesmo que você não tenha a intenção de vender sua empresa, deveria desejar que ela fosse atrativa para investidores. Empresas que despertam interesse do mercado são aquelas com modelos de negócio sólidos, escaláveis e independentes da figura do dono. Isso significa que sua empresa tem processos bem estruturados, uma equipe autônoma e previsibilidade de receita. Existem muitas empresas grandes cujas marcas estão diretamente associadas aos seus donos, eu mesmo já fui conselheiro de algumas, mas isso cria dificuldades de conseguir sócios investidores.

Como transformar serviços em ativos escaláveis?

Uma estratégia eficaz para reduzir a dependência do fator humano é “produtizar”serviços, ou seja, transformar serviços altamente customizados em produtos mais padronizados. Eu utilizo essa estratégia tanto nas minhas empresas quanto nas minhas consultorias: transformar serviços em produtos de prateleira.

Para ilustrar: empresas de consultoria normalmente trabalham com pacotes de horas ou serviços muito customizados para cada cliente. No entanto, desenvolvi um produto de consultoria com método fechado, atende a maioria das médias empresas ou unidades de negócios de grandes corporações. O serviço se tornou um produto com preço fixo, cobrado antecipadamente, semelhante a um item de prateleira.

Isso proporciona maior previsibilidade financeira, reduz riscos operacionais e melhora a escalabilidade do negócio. Além disso, um serviço estruturado como um produto padronizado permite delegação mais eficiente e minimiza a necessidade da presença constante do fundador.

Conclusão

  • Crie o hábito de questionar-se: suas decisões estão criando ou destruindo valor para a empresa?
  • Adote a visão de dono, mesmo que seja um colaborador – isso impulsionará sua carreira.
  • Desenvolva processos que reduzam a dependência de pessoas e aumentem a autonomia das equipes.
  • Deseje ser assediado por compradores – se a sua empresa desperta interesse no mercado, significa que está na direção certa.
  • Transforme serviços em produtos escaláveis, estruturados e replicáveis, garantindo previsibilidade e menor dependência de personalização.

A sustentabilidade do seu negócio depende de um modelo que gere valor no longo prazo—comece hoje a construir essa base.