Você define o curso da sua vida ou segue o roteiro dos outros?

Eu nunca consegui entender por que alguém não traça objetivos na vida. Longe de ser uma crítica — é apenas minha falta de entendimento mesmo, vis-à-vis o benefício que isso traz para a vida de alguém. Vejo que a maioria das pessoas não define objetivos.

Acredito em alguns motivos pelos quais muita gente não define objetivos e metas: ou não acredita que eles são alcançáveis (falta de fé em si ou no outro), ou não tem anseios (acho pouco provável), ou, por último, sente preguiça.

Eu sempre tracei objetivos na minha vida e sempre gostei de escrevê-los. Toda conquista começa na cabeça — você pensa primeiro, antes de falar, antes de executar. Portanto, temos de concordar: se toda conquista começa com um pensamento, então o pensamento em si já tem poder. Importante: isso não quer dizer que todo pensamento se transforma em objetivo conquistado, mas toda conquista partiu de um pensamento.

No entanto, escrever seu objetivo o torna ainda mais latente. Isso acontece porque a escrita — principalmente à mão — é uma ferramenta poderosíssima de memorização e consolidação de um pensamento ou raciocínio. Quando escrevemos, junto com o pensamento há o envolvimento de dezenas de músculos das mãos e dos braços que ajudam no processo mnemônico. Ou seja, você está envolvendo outras faculdades do seu ser que ajudam a consolidar esse pensamento.

É por isso que, quando estudamos lendo e escrevendo, guardamos mais o conteúdo. Se ensinamos o que acabamos de aprender, adicionamos outras faculdades — como a da fala e a da organização mental — que ajudam ainda mais na consolidação. É também por isso que gosto de ensinar e escrever o que aprendo.

Por isso, é recomendável escrever seus objetivos, sejam de curto ou de longo prazo. Existem várias formas e ferramentas para colocar isso no papel. A forma mais direta é escrever aquilo que você quer conquistar — mas o importante é ser bem específico. Quanto mais específico, melhor: você começa a desenhar um cenário de precisão na sua cabeça e, acredite, isso o solidifica ainda mais.

Outro exercício são as listas de tarefas. Eu tenho sete listas de tarefas. Uso o Google Tarefas para isso. Nele, consigo criar diferentes listas em função do propósito ou do prazo. Por exemplo: tenho uma lista para o projeto do livro. Embora eu tenha terminado de escrever em dezembro de 2024, o livro se encontra em editoração pela editora, e eu tenho mais de 40 tarefas de marketing a serem executadas ao longo do pré-lançamento, pré-venda, lançamento e pós-lançamento. Outra lista de tarefas é a de altruísmo. Eu acredito no nosso dever de ajudar o outro, mas também que essa ajuda deve ser intencional e planejada — não apenas esporádica e ocasional. A lista de tarefas me ajuda a manter isso em dia.

Todos os dias, pela manhã, eu abro a lista de tarefas e olho o que está para ser executado. Isso me ajuda a planejar meu dia e minha semana. E tudo vai acontecendo, em direção aos meus objetivos.

Vale reforçar também que as tarefas servem como milestones, ou seja, objetivos intermediários rumo ao objetivo maior. Conforme vamos cumprindo cada objetivo secundário, a conquista se aproxima do todo.

Outro exercício muito poderoso que aprendi enquanto executivo da Meta é o Fast Forward Vision, que utilizo até hoje. Em tradução livre: Acelerar a Visão. Sente-se com papel e caneta na mão e escreva como foi o seu ano seguinte — ou seja, se você está no começo do ano, visualize-se no dia 31 de dezembro do mesmo ano. Escreva, com o máximo de detalhes possível, como foi o seu ano: todas as conquistas, o que executou e experienciou em todas as instâncias da sua vida — família, trabalho, relacionamentos, educação, lazer…

Desde pequeno, eu traçava objetivos — e aprendi a gostar disso. Quando um objetivo é alcançado, uma descarga do neurotransmissor dopamina é liberada no nosso organismo, gerando bem-estar. Micro-objetivos alcançados geram microdescargas de dopamina; grandes conquistas, grandes descargas. Porém, o cérebro não distingue uma conquista produtiva de uma improdutiva. Você pode estar se sabotando ao executar uma tarefa como limpar a caixa de entrada de e-mails que não trouxe nenhum benefício, ou ao ganhar um troféu em um joguinho de celular. Vale saber com o que você quer ser recompensado com dopamina.

No começo, pode parecer difícil definir seus objetivos. Em minhas mentorias, ajudo as pessoas a identificar e planejar — porque objetivos de vida são os mais difíceis de definir. Costumo dizer: você não é obrigado a saber o que quer ser quando crescer, mas é preciso começar de algum lugar. Talvez respondendo o que você gosta de fazer. Esse é um bom começo, porque o objetivo de vida reside na felicidade. Seu objetivo pode ser simplesmente prover conforto à sua família — e isso é magnífico —, mas, a partir daí, como você pode quebrá-lo em subtarefas?

Também não há nada de errado em alterar o objetivo. No meio do caminho, você pode notar que ele não faz mais sentido para você. Apenas mude. Meu irmão começou a cursar engenharia antes de mudar para o direito. Na época, não tive dúvidas de que ele deveria mudar.

Forçar-se na direção do desconforto significa buscar o insucesso.

Use esse sistema todo a seu favor. Não custa nada traçar objetivos — é de graça. Retire as crenças limitantes do caminho: pensar que não é capaz, que lhe falta competência, dinheiro, ou que virão críticas. Sempre faltará algo para conquistar um objetivo — essa é a natureza do objetivo. Caso contrário, ele já teria sido alcançado.


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