Há uma tempestade acontecendo neste momento, gerando incertezas econômicas. Os eventos são diversos e impactantes. Podemos citar as guerras entre Ucrânia e Rússia, Índia e Paquistão aumentando as tensões, as guerras comerciais entre China e EUA, a instabilidade da nossa política doméstica, com fraudes no INSS, prejuízos nas empresas estatais, e a taxa básica de juros atingindo o patamar mais alto dos últimos 19 anos, chegando a 14,75%. Dentro de tudo isso e muito mais, que não seria possível listar integralmente nesta newsletter, como você protege o seu patrimônio? Como você protege a sua empresa?
Não é por acaso que o preço do ouro vem subindo consistentemente, acumulando alta superior a 70% nos últimos dois anos, como mostra o gráfico abaixo. O ouro, por ser um ativo com valor intrínseco, tem a característica de proteger patrimônio — ao contrário de um investimento em startups, que são, por natureza, incertos e podem resultar tanto em grande sucesso quanto em grande fracasso.
Em tempos de incerteza, não investimos em ativos muito voláteis. Na linguagem financeira, volatilidade significa risco. Quanto maior a volatilidade, maior o risco. Se já é difícil prever o movimento de um ativo financeiro relativamente estável, imagine o quanto é complexo prever o comportamento de ativos instáveis.
“O investidor astuto tenta entrar no mercado em tempos tranquilos e realiza lucro em tempos conturbados.” — Alexander Elder
Neste artigo, quero fazer uma provocação traçando um paralelo entre o mundo financeiro e o da gestão de pessoas. Pensando nessa instabilidade geopolítica e econômica em que vivemos, precisamos proteger nossos portfólios de investimentos, assim como nossos portfólios de recursos humanos: nossas equipes, colaboradores, parceiros e negócios.
Em tempos incertos, investidores buscam ativos estáveis, capazes de entregar retornos consistentes com pouca volatilidade. Dentro da sua empresa, você já parou para pensar quem são seus ativos realmente seguros em tempos turbulentos?
Pense nos profissionais que compõem a sua equipe. Quem são os mais estáveis, aqueles que historicamente apresentam maior consistência em suas performances, faltam menos ao trabalho, não chegam atrasados e têm menos volatilidade em seus comportamentos?
Em geral, na gestão de ativos financeiros, vale a regra: quanto maior o risco, maior o retorno. Afinal, ninguém vai assumir mais riscos se o retorno possível não for alto. Da mesma forma, durante minha carreira como líder, tive que apostar em algumas contratações. E apostas podem dar errado, já que a razão para se apostar é justamente o potencial de também dar muito certo. Além da estabilidade, muitos profissionais podem surpreender, até de forma extraordinária, em determinados momentos, mas não sempre.
As crises são cíclicas. Veja o exemplo da crise dos fundos de venture capital que começou em 2021. Antes dessa data, muitas startups surgiram e viraram unicórnios não necessariamente pelos seus resultados, mas pela grande disponibilidade de capital no mercado. Quando a crise chegou e os fundos começaram a desinvestir, o número de novos unicórnios caiu drasticamente e vieram junto os cortes de pessoal. Nas demissões em massa, quem estava entre os mais afetados? Não apenas profissionais de baixa performance, mas principalmente aqueles menos consistentes — que frequentemente acabam apresentando baixa performance no longo prazo.
Você já ouviu falar na Lei de Price? Em resumo: poucos fazem muito, muitos fazem pouco. No universo dos ativos financeiros, são poucos aqueles realmente confiáveis em períodos turbulentos. Na sua empresa, a Lei de Price sugere algo semelhante: apenas um punhado dos seus colaboradores está entregando resultados realmente estáveis e consistentes. E são exatamente esses talentos que precisam da sua atenção agora.
A Lei de Price afirma que a raiz quadrada do número total de pessoas em um grupo é responsável por aproximadamente metade da produção total desse grupo. Em outras palavras, em uma equipe de 100 pessoas, apenas cerca de 10 indivíduos geram aproximadamente 50% dos resultados.
Por que líderes precisam conhecer a Lei de Price?
Porque ela expõe claramente onde você deve investir seu tempo e esforço. Ajuda também a entender que a gestão de pessoas precisa ser seletiva e estratégica, exatamente como se faz com investimentos em ativos financeiros.
Steve Jobs, na liderança da Apple, frequentemente enfatizava que pequenas equipes, formadas por profissionais altamente produtivos e pouco voláteis, eram superiores a grandes equipes com desempenho mediano. Jobs aplicava implicitamente o princípio da Lei de Price ao formar equipes internas de elite para produtos críticos, como o primeiro iPhone.
Minha recomendação para todos os líderes é simples e direta:
- Faça uma análise clara sobre quem são esses profissionais-chave na sua empresa. Todo líder deve ter essa lista na ponta da língua.
- Estruture o desenvolvimento de carreira desses talentos com planos claros e reconhecimentos específicos.
- Redirecione recursos de maneira inteligente para essas pessoas estratégicas.
Em tempos turbulentos, a Lei de Price pode ser sua maior aliada estratégica. Descubra quem são os poucos que garantem resultados sólidos na sua empresa e coloque toda sua energia neles. Afinal, num mercado instável, são esses “ativos humanos” que definirão quem sairá fortalecido da crise e quem ficará para trás.
Como você tem cuidado dessa pequena fração de talentos que realmente faz diferença?
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