Síndrome do impostor, preconceitos e Obama

Hoje, eu fui chamado de Obama pelo instrutor da academia da instituição de que me tornei membro recentemente.

Embora eu seja um fã do Obama, achei bem estranha essa rotulação. É um clube elitizado, com pessoas importantes, políticos, executivos e empresários bem sucedidos.

Já me chamaram de Morfeu (personagem do filme Matrix) e de Will Smith, mas de Obama foi a primeira vez, então fui perguntar o porquê. “Oras, é porque você é o primeiro negro do clube”, disse ele. Assim como Obama foi o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, eu teria sido o primeiro membro negro do clube.

É claro que eu tinha notado que não havia nenhum outro negro no clube e é aqui que eu gostaria de falar sobre a Síndrome do Impostor.

A Síndrome do Impostor ou ainda a síndrome da fraude é quando uma pessoa sente que não é merecedora de estar ali ou de ter atingido o resultado que atingiu, de ser uma fraude do sucesso que conseguiu. Já adianto que eu nunca senti a síndrome do impostor e acredito que esse seja um fator essencial para as minhas conquistas.

Recentemente, conversando com uma amiga, ela mencionou ter notado que, durante algumas dinâmicas de grupo de um processo de recrutamento, algumas pessoas sentem que não deveriam estar ali, ora um par de candidatos negros no meio de uma dezena de candidatos brancos ora um par de homens diante de uma dezena de candidatas mulheres. Muito embora tais candidatos tenham ido muito acima da média nos exames e entrevistas, quando diante de um grupo tão destoante, eles se sentem impostores, que não deveriam estar ali e se apagam durante a dinâmica.

Minha auto-estima nunca me fez sentir encolhido, menor em tais situações. Em nenhuma dinâmica de grupo, em nenhuma empresa ou área pela qual eu tenha passado, assim como nesse clube de que sou sócio hoje; ainda que como negro eu tenha sempre sido minoria, nunca me apequenei. Aliás, muito pelo contrário.

Nos últimos meses tenho participado em alguns eventos de diversidade e uma coisa que tenho visto em comum é a falta do senso de pertencimento. Embora o preconceito exista e em alguns lugares ele possa estar arraigado, eu pergunto o quanto parte deste preconceito não está ligado ao sentimento de falta de pertencimento ou à síndrome do impostor?

Pois, por mais que eu não tenha visto nenhum outro negro no clube de que hoje eu sou sócio, eu e minha família fomos extremamente bem recebidos e fiz algumas amizades já nas primeiras semanas.

Ainda, por outro lado, como as empresas e outras instituições podem eliminar ou reduzir esse sentimento dentro de cada candidato ou novo entrante? Por exemplo, como seria se, no caso das dinâmicas de grupo, um diretor negro fizesse as boas vindas para o candidatos?