Mais uma vez estamos no meio de uma grande tendência que acontece de tempos em tempos. Assim como os computadores pessoais, a chegada da internet, a telefonia móvel ou os smartphones, a inteligência artificial tem mudado vidas. Junto às grandes tendências residem as oportunidades. Alguns conseguem se capitalizar com elas, outros esperam e deixam passar o bonde.
Você sabe quem ganhou dinheiro com a corrida do ouro? Muitos pensam que foram os garimpeiros que encheram os bolsos de dinheiro, mas na verdade, a maioria deles voltou para casa mais pobres. Como o grande funil da vida, em cada área, muitos começam, mas poucos chegam até o final. A Levi’s, fabricante de calças jeans, ganhou dinheiro. Ou melhor, Levi Strauss, fundador da marca, que fazia roupas resistentes de lona para os garimpeiros. Assim como Levi, Samuel Brannan comprou todo o estoque de ferramentas da cidade e ao mesmo tempo em que anunciava a corrida do ouro, vendeu picaretas, pás e peneiras a preços altíssimos.
Junto com as grandes tendências, um ecossistema é criado. Não foram somente as ferramentas ou as roupas feitas de lona que prosperaram, mas também a rede hoteleira, banqueiros, fornecimento de comida, imobiliárias, entretenimento… Da mesma forma, hoje, há muita gente correndo para aproveitar essa nova tendência tão marcante, responsiva e revolucionária, que já provou não ter um caminho de volta.
Nesta mesma semana, fui um dos palestrantes convidados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) para falar sobre IA. Uma das perguntas que me fizeram foi sobre o medo de perder oportunidades, cujo termo cunhado em inglês é FOMO – Fear Of Missing Out. Trata-se da ansiedade que temos de não entrarmos no bonde a tempo, e ele passar. Sabe aquele produto recém lançado com uma promoção temporária imperdível? Ou aquele receio de não fechar um negócio e não surgir uma oportunidade igual? Muita gente está sentindo isso agora com a escalada da inteligência artificial no varejo, ou seja, nas mãos das massas.
A minha resposta para essa pergunta, e para todos aqueles que não estão conseguindo acompanhar a evolução tecnológica, é: encontre as pás e picaretas associadas a esse novo ecossistema para vender. Refletindo sobre isso e vendo a dificuldade das pessoas em se localizar nesse cenário, uma ferramenta acessória seria um mapa para as pessoas se encontrarem. Pense na curadoria das centenas de ferramentas de IA existentes, uma forma fácil e acessível para as pessoas encontrarem a solução certa para o seu problema específico. Se eu fosse bibliotecário, me empenharia nessa redescoberta da função.
Tem gente fazendo dinheiro ensinando de forma básica o uso de algumas ferramentas. Conversando com um colega conselheiro de empresas, ele ficou indignado em pagar um alto preço para aprender a usar o Gamma, ferramenta de criação de apresentações – há sempre os picaretas que surfam as grandes tendências. No começo é assim mesmo, o início permite que pessoas menos experientes ganhem. À medida que o mercado vai ganhando maturidade e muitos avançam no conhecimento, apenas os profissionais serão bem-sucedidos. Quem ganha minerando ouro ou criptomoeda hoje? Os profissionais.
Entrando numa escala de investimentos maior, quem está fazendo muito dinheiro é a NVIDIA vendendo chips para treinar os modelos de IA; empresas que vendem infraestrutura em nuvem como a AWS, Azure e Google Cloud; aquelas que vendem soluções fáceis da inteligência como a Notion IA, Jasper, Runway…
Antecipar-se a uma tendência tem seus riscos também. Você pode comprar todo o estoque de ferramentas e a tendência não se confirmar. Você pode apostar as suas economias para garimpar e não encontrar ouro. Por exemplo, a Sony, Panasonic, LG e Samsung perderam bilhões de dólares com a fabricação de aparelhos de Blu-ray, que no final se perderam nos estoques. Os estúdios de Hollywood que também apostaram no novo formato perderam dinheiro. Isso porque apostaram demais e na hora errada devido ao crescimento do streaming com YouTube e Netflix.
Para concluir, se você tem FOMO neste momento, a minha dica é começar. Comece pequeno, mas comece. Isso vai tirar um pouco da sua ansiedade. Utilize as ferramentas que tem versões gratuitas. Não sabe o que perguntar à IA? Faça perguntas simples, como: Sou iniciante, qual é a melhor forma de começar a usar IA? Como eu posso ser mais eficiente? Como você pode ajudar no meu trabalho? Tenho um projeto, que dicas você poderia me dar para melhorar? Basta começar com uma pergunta e o ritmo vai tomando forma. Com o uso da nova tecnologia, você ganha uma experiência prática também para descobrir novas pás e picaretas.