Eu sou daqueles que acredita no poder do reflexo de nossas ações, a lei da ação e reação, a lei do Karma, ou ainda, lei da atração… e porque eu acredito nisso tento sempre avaliar e julgar minhas ações pretendidas. É uma lei que ajuda a me guiar.
Eu recebo frequentemente contatos de amigos que trabalham em outras empresas me perguntando sobre referências de pessoas que já trabalharam ou tem alguma conexão comigo.
Minhas respostas são sempre honestas, dentro das percepções que eu tinha de cada um. Sim, o que vale é a percepção, a realidade percebida por cada um.
Sendo assim, qual é a percepção gerada por você dentro do seu local de trabalho, da sua rede social? Qual é a sua reputação? Como avaliar isso?
Trabalho há mais de duas décadas ininterruptas em ambientes corporativos – já pude trabalhar com muitos profissionais diferentes. Você que tem bons anos de estrada sabe disso.
Vai aqui um caso. Tinha um profissional que trabalhou no meu time assim que eu cheguei na nova área. Ele era o mais sênior, conhecia muito bem os processos internos e tinha o melhor conhecimento de produtos dentro da área. No entanto, seu conhecimento técnico excepcional não era suficiente para fazer sombra ao seu comportamento dentro do time.
Ele tinha péssimos vícios, como o de fazer fofocas, jogar um colega contra o outro, não discutir um comum acordo; e fazia sempre aquilo que achava que devia fazer, não interessando quais eram as prioridades da área. Enfim, os processos mudaram dentro do time e ele não se adaptou; alguns meses depois ele achou outro lugar ainda dentro da empresa, até sair de vez e mudar de país.
Meses depois, recebi uma mensagem de uma amiga, recrutadora de uma das empresas em que trabalhei, que tinha se mudado para o outro lado do planeta, na Ásia, e pedia referências de emprego para esse mesmo candidato. Eu apenas fui factual. Minha amiga preferiu não seguir adiante em razão dos fatos contados por mim e pela própria pessoa durante a entrevista. Esse profissional tinha dito mal sobre os três últimos chefes dele à minha amiga recrutadora. Péssimo hábito se você quer ser contratado.
Quem você quer ter por perto?
Enfim, as sementes dessa pessoa plantadas no Brasil chegaram a brotar na Ásia. Esse é o poder de nossas ações.
Como contra exemplo, eu tenho uma lista de pessoas na minha cabeça com quem gostaria de trabalhar junto um dia. Nessa lista constam pessoas com quem já trabalhei antes ou com as quais já tive alguma interação: de pessoas que estão começando a carreira ou à profissionais mais experientes. Não tem sexo, gênero, cor e nem religião. São pessoas que tem postura exemplar dentro ou fora dos ambientes corporativos. São competentes, trabalhadoras e sempre positivas. Essas pessoas estão sempre dentro do meu radar. Por isso, não se enganem: estamos sempre sendo avaliados, a todo momento, por pessoas que sequer imaginamos
Existem os soft skills e os hard skills – em geral, os hard skills são as habilidades técnicas específicas, como programação ou operar uma máquina e por isso são mais fáceis de aprender e quantificar. Já os soft skills são habilidades comportamentais e mais subjetivas, como o poder de influência ou a positividade de uma pessoa. Essas são mais difíceis de aprender e de quantificar. No meu exemplo sobre o profissional problemático, ele tinha fortes hard skills, mas indesejáveis soft skills para a função que ele exercia.
Outro dia presenciei dentro do esporte um colega, que tinha me mandado seu currículo há poucos dias, dar um chilique de histeria com o juiz da partida e seus colegas. O colegas tiveram que acalmá-lo. Um jogo que não tinha muita importância. Aí eu pensei: e se eu indico esse cara para alguma vaga de emprego e ele, contratado, dá o mesmo chilique dentro da empresa, por coisa pouca?
Novamente, pense nas pessoas que você gosta de ter por perto, no que elas têm em comum e tente absorver isso para você.
O que eu mais gosto de ver em alguém é a autenticidade. Quando a pessoa é transparente e também não esconde segundas intenções – o que chamamos em inglês de hidden agenda ou agenda oculta.
Recentemente, contratamos uma empregada doméstica que estamos adorando. Ela nunca trabalhou como empregada doméstica, apenas em empresas. Muitas coisas são novas, mas ela não se acanha: pergunta se não sabe fazer e diz sobre os sentimentos dela quando alguma coisa a está incomodando.
Hoje mesmo, quando fui ao fogão preparar algo para comer, ela me compartilhou: “Seu Denis, essa noite eu conversei com o meu marido que acho que vocês querem me dispensar, porque eu não cozinho.”
Esse comentário me pegou de surpresa, até porque eu havia dito a ela semana passada que estávamos gostando muito dela. Então eu repliquei: “Nina, muito pelo contrário, estamos adorando o seu trabalho, o cuidado que você tem com as coisas como se fossem suas, o capricho, a pontualidade e mais, o simples fato de você se comunicar e dizer o que você está sentindo agora te faz uma profissional diferente. Você permite que eu consiga reverter esse seu receio agora e as coisas não piorem dentro de você. Quando você me diz que não sabe fazer alguma coisa e me permite te explicar tem um valor alto para mim. Por favor, não pare de se comunicar.”
No caso da Nina, ela pode não ser completa nos hard skills desejados na função de empregada doméstica – falta, por exemplo, melhorar a habilidade de cozinhar, mas isso ela pode aprender. Aliás, já está aprendendo.
No entanto, seus soft skills me confortam. Eu sei que posso contar com ela. Que ela pode contar comigo, porque somos transparentes um com o outro. E isso não se encontra em qualquer lugar, nem na porta da formatura de cursos técnicos ou faculdades.
Profissionais como a Nina, que foi indicada por uma engenheira de alimentos da empresa por onde ela passou, são profissionais que também serão indicadas por mim num futuro.
E isso vale para todos nós. Eu mesmo saí do Google em 2014 para trabalhar no Facebook por conta de indicação. Fruto da reputação que procuro construir desde sempre.
O que é que você está plantando hoje para colher amanhã?