Nosso sucesso também depende de como olhamos para as tendências.

Quando você olha apenas para a foto atual e não para o filme histórico.

Durante minha carreira profissional tenho visto muita gente tomando decisões erradas por apenas olharem a foto do momento e não a tendência histórica.

Exemplo: “Vou procurar outro emprego, meu chefe é um saco.” Não que um chefe ruim não seja um bom motivo para mudar de emprego, na verdade, segundo algumas pesquisas, esse é o principal motivo por qual as pessoas trocam de emprego. No entanto, quantos chefes você já teve? Eu mesmo troquei de chefe três vezes recentemente. Nada dura para sempre, vale pensar se a atitude está sendo impulsiva.

O exemplo da mudança de emprego é muito bom, pois podemos explorar um pouco mais de vertentes.

No mercado de trabalho temos aquelas pessoas que são chamadas pelos recrutadores de “job hoppers“, traduzindo, são as pessoas que pulam de emprego com muita frequência sem esperar esquentar a cadeira. Isso não é muito bem visto por algumas empresas e recrutadores. Sabe por quê? Porque em geral exige tempo para trazer impacto de verdade num novo emprego. Claro que em muitas funções, na maioria delas, é esperado de nós a entrega de resultados já nas primeiras semanas ou dias, como o papel de um vendedor em que já são esperadas vendas concretizadas logo de início. Porém, eu não estou falando dos milestones do dia-a-dia, como as metas diárias ou semanais de vendas. 

Estou falando de contribuição e impacto no longo prazo, que é maior, mais profundo. 

O acúmulo de conhecimento sobre a linha de negócios da empresa, a navegação dentro das diversas áreas e departamentos da empresa, a especialização nos produtos… Isso te acresce uma capacidade cognitiva para tomar decisões mais vantajosas para o negócio e para você. Você passa a ser mais útil e por isso mais requisitado em projetos diferentes, começa a ensinar outros colegas de área e a liderar por natureza. A parcela intuitiva do seu trabalho aumenta e assim você pode expandir o seu escopo assumindo novas responsabilidades.

Me admira muito os pesquisadores que investem décadas de suas vidas a um mesmo estudo. Exige muita dedicação e energia. 

No livro Fora de Série – Outliers de Malcolm Gladwell – ele comenta sobre um estudo realizado nos Estados Unidos pelo professor de psicologia de Stanford, Lewis Terman, que consistia em acompanhar 1470 crianças superdotadas, com QI médio de 140. Ele queria entender a correlação entre um QI alto e o sucesso dessas pessoas na fase adulta. Essas crianças foram acompanhadas durante décadas. Foi o projeto de vida de Terman. São estudos que exigem tempo para se obter uma resposta e causar impacto. Terman exibe um fato revelador. A relação entre QI e o sucesso de uma pessoa funciona até certo ponto. Uma vez atingido um QI próximo de 120, qualquer ponto adicional não traz nenhuma vantagem competitiva para a pessoa em nosso mundo atual. 

Esse estudo, por exemplo, mudou a forma que eu vejo os processos seletivos hoje.

Sempre acreditei no longo prazo. Como eu costumo dizer, é como a mágica dos juros compostos. Se você investir seu dinheiro hoje, ele cresce à cada dia, e quanto mais tempo maior é o rendimento.

Na minha carreira, acumulei onze anos na Telefónica, seis no Google e estou há quase seis no Facebook. Sem falar do empreendimento que tive no mercado financeiro que toquei por dois anos. Eu consigo ver o quanto me desenvolvi e cresci em cada uma dessas três empresas por conta do tempo. A experiência. 

Vejam! Não estou dizendo que aquele que tem se mostrado um job hopper não é competente, mas definitivamente é possível ir mais a fundo com aqueles que tem mais histórias para contar dentro do mesmo projeto. Também não estou dizendo que você tem que passar uma vida inteira no mesmo lugar. Definitivamente não é isso. Mas exige um pouco de sensibilidade para saber quando um ciclo está chegando ao fim e é o momento de buscar uma nova onda.

Outro dia fui sozinho a um restaurante onde alguns dos atendentes trabalham há mais de vinte anos no mesmo estabelecimento. Um desses garçons que me atendeu, além de me atender espetacularmente bem porque era cordial, tinha leitura de cada tipo de cliente que chegava e ajustava o discurso para cada um, sabia o lugar de cada utensílio, posição das mesas… lendo a minha abertura para conversas, me contou histórias engraçadas de pessoas famosas que passaram pelo restaurante. Como seria minha experiência com um novato? Seria diferente, não?

Outro paralelo que faço comparando a foto do presente e a tendência mostrada por um filme, é quando chega o momento de decidir pela mudança de emprego ou posição dentro da mesma empresa. Igualmente, não é interessante apenas olhar se o novo trabalho é atrativo em suas atribuições e salário – se faz necessário olhar a tendência do negócio. Mesmo sendo uma mudança dentro da mesma empresa, eu sempre olhei se aquela unidade de negócio estava crescendo, olhando a tendência histórica. Fiz escolhas bem acertadas em escolher empresas e áreas que cresciam acima da média, para eu também poder surfar a tendência. 

Você pode surfar uma tendência mas não um ponto solitário de dados no gráfico, não dá para saber para onde aquele ponto está indo.

É exatamente como um investimento financeiro. Investir seu tempo e energia tem o mesmo conceito. Onde você vai empregar seu tempo e energia que no fim é o mesmo que a sua vida? Onde você vai investir a sua vida?

Um relatório operacional ou financeiro sem linhas de tendências para mim é mais limitado, minha atuação se torna mais precisa em cima das referências que essas linhas me trazem. Linhas de tendência dizem se a situação está melhorando ou piorando; caindo ou descendo. Sabemos que para se formar uma reta precisamos apenas de dois pontos, logo se você tiver dois pontos, “A” e “B”, você já pode ter uma tendência. O mês passado contra o mês corrente. Se você tiver mais meses, mais pontos, sua tendência será mais precisa.

Para finalizar, vale a pena fazer uma autocrítica para entender qual é o seu momento e como ele se relaciona com o seu histórico. Você tem crescido profissionalmente? Digo, se tornado um melhor profissional, aprendido, concluído novos projetos, alcançado novos números e ajudado o negócio a crescer? O seu hoje é melhor do que o seu ontem, que o seu mês ou ano anterior? Qual é o filme que você está traçando sobre você mesmo? Se a sua tendência pessoal é de alta você será uma pessoa e um profissional mais bem quisto e desejado pelo mercado.