Entre dashboards e decisões: por que sua intuição importa mais do que você pensa.

Intuição também é gestão: o que você sente antes de decidir?

Ou por que bons líderes não ignoram o que não conseguem explicar com dados.

Você já viveu aquele momento em que precisa decidir… mas não tem tempo, nem todos os dados, nem clareza total do caminho? Ainda assim, algo dentro de você já sabe a resposta. E você sabe que sabe.

Pois é. Isso tem nome: intuição.

Aliás, quanto mais a gente sobe na pirâmide hierárquica do mundo dos negócios, mais difíceis são as decisões, exatamente porque oferecem menos embasamento de dados.

Por exemplo, volta e meia recebo ofertas de participação em sociedades de empresas. Às vezes, os números são bons, mas algo dentro de mim diz para eu não entrar. Quando faço uma investigação mais diligente sobre as pessoas envolvidas, acabo encontrando fatos que justificam a minha intuição.

Por outro lado, há um mês aceitei uma parceria só com base na intuição – sem números. E digo que pode ser o maior projeto da minha vida. A intuição – ou o que os americanos chamam de “gut feeling” – foi o fator decisivo.

Nos últimos anos, falar de intuição no mundo dos negócios perdeu o estigma de amadorismo. Antes vista como um tiro no escuro, hoje é reconhecida como uma ferramenta poderosa de tomada de decisão – principalmente nos momentos em que os dashboards emudecem e a pressão exige ação.

O que você vai encontrar neste artigo:

  • O que é, de fato, a intuição – e o que ela não é.
  • Por que a experiência fortalece sua precisão intuitiva.
  • Como heurísticas e vieses jogam contra e a favor.
  • O que Jung e Kahneman têm a ver com sua próxima decisão.
  • Como eu, pessoalmente, uso minha intuição como parte da minha gestão.

Intuição não é mágica. É memória processada em silêncio.

Daniel Kahneman, no clássico Thinking, Fast and Slow, explica a diferença entre dois sistemas de pensamento: o Sistema 1 (rápido, automático, intuitivo) e o Sistema 2 (lento, analítico, racional). A intuição vive no Sistema 1 – e, ao contrário do que muitos pensam, não é sinônimo de irracionalidade.

Boa intuição nasce de repertório. Da repetição de padrões, das experiências acumuladas, dos feedbacks recebidos (ou ignorados) ao longo dos anos. É como um mapa que se desenha dentro da sua cabeça e que, com o tempo, permite que você “saiba” antes de entender por que sabe.

O problema? A intuição também se alimenta de atalhos mentais – as famosas heurísticas. A “heurística da disponibilidade”, por exemplo, faz com que a gente superestime a probabilidade de algo acontecer só porque conseguimos lembrar de um caso recente. Ou seja: nosso cérebro, muitas vezes, confunde facilidade de lembrar com probabilidade real.

Por isso, líderes experientes não confiam apenas no que sentem – mas também sabem filtrar de onde aquele sentimento vem.

O que Jung chamava de conhecimento interior

Carl Jung falava da intuição como uma das quatro funções psicológicas, ao lado do pensamento, sentimento e sensação. Para ele, a intuição é a percepção do inconsciente. É como se fosse um sensor para os sinais que estão fora da lógica linear.

E aqui entra um conceito que levo comigo: sincronicidade. Aquele aparente acaso que, de tão simbólico, parece uma mensagem do mundo. Se você parar para prestar atenção, as decisões difíceis quase sempre vêm acompanhadas de sinais paralelos: uma conversa que aparece na hora certa, uma frase num livro, um desconforto físico, um silêncio que pesa.

Como eu trabalho minha intuição

Nas decisões mais importantes – e nas mais simples também – eu paro para sentir. Respiro. Me pergunto: o que cada caminho me faz sentir no corpo?

Algumas opções trazem ansiedade, outras um alívio que não sei explicar.Esse gesto simples de escuta silenciosa me ajuda a limpar o ruído social que distorce.

Porque a verdade é: estamos cercados de vozes que gritam. E não fomos treinados para ouvir o que sussurra.

Quando estou diante de uma decisão relevante, além de buscar os dados, eu dou um zoom out. Tento olhar para o que está fora do contexto imediato.

Converso com pessoas de confiança – especialmente aquelas que possuem uma sensibilidade mais intuitiva.E, com frequência, recebo sinais que não vêm de gráficos nem de relatórios.

Em um mundo saturado de algoritmos e métricas, a intuição virou uma das poucas formas de diferenciar o que é seu do que é ruído.

A maioria das decisões estratégicas que mudaram empresas ou vidas não foi tomada com todos os dados disponíveis. Foi tomada com coragem, repertório… e escuta.

Ignorar a sua intuição é amputar metade da sua inteligência.

Pare. Sinta. Pergunte ao seu corpo, mente e espírito antes de perguntar ao Excel.


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