Criando impacto – um deslocamento na direção correta.

Isso pode soar familiar para você. Você já trabalhou num ambiente onde as pessoas tendem a ficar até tarde trabalhando, fazendo horas extras apenas para vender uma falsa imagem de trabalhadores, hard workers? Pois bem, escrevo esse artigo para diferenciar ‘esforço’ de ‘impacto’ e vou relembrar um pouco de física para isso.

O primeiro ponto é nos conscientizar que todos nós temos uma quantidade limitada de energia, temos 100% de energia e não 110% ou 120%. Durante as 24 horas de um dia decidimos como fazer o uso dela dentro das diversas áreas ou verticais de nossas vidas, seja investindo essa energia em nosso trabalho; com a família; lazer; educação; saúde; um projeto novo; relacionamentos e por aí vai. 

Essa energia armazenada pode ou não ser empregada numa dessas verticais e a quantidade que temos para dedicar varia de pessoa para pessoa. É como se fosse uma jarra com 1 litro de água e alguns copos. Você decide quanto dessa água você vai colocar no copo do trabalho, no copo da saúde e assim por diante. Existem pessoas que se dedicam mais à família do que à saúde, outras que se dedicam muito mais ao trabalho do que à família, aí nesse caso veremos o copo do trabalho cheio de água e o da família quase vazio.

Acontece que energia gasta não necessariamente significa que você esteja produzindo. Há momentos que essa energia está apenas gerando esforços mas nenhum movimento.

Nada sai do lugar, não há deslocamentos (d). Você empurra, empurra e empurra aquele peso (m) enorme e ele não se move, apenas sua energia que se esgotou de tanta Força (F) empregada e quando você vê, já chegou a hora de ir embora.

Aqui está a diferença, há momentos em que fazemos esforços e não geramos impacto. Aí está o erro de algumas culturas corporativas que valorizam o esforço e não o impacto. Essas culturas trazem um ambiente onde as pessoas tendem a focar na quantidade de horas trabalhadas e não naquilo que estejam produzindo. Duas pessoas podem ter o mesmo nível de entrega mas trabalhando quantidades de horas diferentes – porém, aquela que trabalhou por mais horas recebe maior apreço, é mais valorizada. Isso é ruim.

Por isso eu trago a fórmula do Trabalho,

T = F x d .  

O trabalho em sua essência exige um esforço e um deslocamento. Você empregou sua energia, se dedicou, se esforçou mas o impacto também aconteceu. Você mudou algo do lugar, criou um novo relatório, fechou um negócio, vendeu, ensinou, construiu, serviu, produziu… é diferente de apenas gastar horas e sair da mesma forma que entrou.

Obviamente que existe impacto negativo, quando você desloca o objeto para a direção errada e algo quebra, algo se perde, o relatório que mostrou números errados, o negócio fechado que deu prejuízo, a construção que quebra, a venda que perde o cliente… ainda assim é dito trabalho, porém podemos entrar nessa discussão em um outro momento. Todo trabalho precisa de direcionamento, de guidance.

Pois bem, a melhor forma de criar um ambiente produtivo e acolhedor para quem quer trabalhar e ser eficiente é promovendo o impacto e não apenas o esforço. As empresas e equipes mais bem sucedidas possuem essa cultura. Os gestores deixam de fazer o micro-gerenciamento de marcação de ponto e quantidade de horas trabalhadas e passam a exigir premiar o impacto.

Eu já trabalhei nos dois tipos de ambientes e digo que sempre vale a pena ser focado no resultado. Se o retorno vem para a empresa acaba vindo, ainda que no longo prazo, para você também.

E você, gerou esforço ou impacto hoje?