Já parou para refletir sobre o que faz as pessoas à sua volta serem bem-sucedidas? Esse é um tema bastante clichê, mas quero abordar um aspecto que considero central nas trajetórias de quem conquistou muito sucesso nos negócios — e por que agora pode ser uma janela de oportunidade para empreendedores e investidores atentos.
Por que tomar riscos maiores pode levar a lugares melhores? Os tomadores de risco são pessoas que conseguem ir além da média. Seguir caminhos que a maioria — ou ninguém — teve coragem de percorrer, por causalidade, pode abrir portas para novas conquistas. Isso não significa agir com imprudência, mas sim desafiar o conforto da previsibilidade.
O mundo dos negócios está cheio desses exemplos. Começo com um caso pessoal: no início da crise sanitária da COVID-19, quando todos os ativos financeiros estavam derretendo, eu liquidei mais da metade da minha previdência privada. Comprei ativos fortemente descontados e obtive mais de 50% de retorno no mesmo ano. Mas é preciso ousadia para retirar dinheiro de um lugar relativamente seguro, em meio ao caos, e alocar em ativos de risco. É fácil contar essa história agora, mas naquele momento, quando a maioria estava assustada, apenas uma minoria mais serena teve coragem de agir.
Elon Musk, hoje o homem mais rico do mundo, quase quebrou com a SpaceX e a Tesla em 2008. Depois de embolsar US$ 180 milhões com a venda do PayPal, investiu metade nas duas empresas. Ambas ainda pediam mais. Restava a outra metade, US$ 90 milhões. Disse que podia investir tudo em uma e deixar a outra morrer — ou dividir o dinheiro e aumentar o risco de falir nas duas. Ele tomou o risco mais alto. E deu certo. Mas poderia ter dado muito errado.
Eu, sinceramente, não teria essa coragem de Elon. Mas agradeço por existirem pessoas como ele. O que seria do mundo sem os que ousam criar objetivos audaciosos, “monstrengos e cabeludos” — os famosos BHAGs (Big Hairy Audacious Goals)? Alguns os chamam de heróis. Ray Dalio, no livro Princípios, os chama de formatadores. Eles moldam tendências, criam os caminhos que os outros seguirão. A humanidade precisa de pessoas como Thomas Edison, Platão, Abraham Lincoln, Leonardo da Vinci, Marie Curie e Steve Jobs. Obcecados por seus objetivos, todos tomaram grandes riscos.
Contudo, tomar grandes riscos não é o mesmo que agir de forma leviana e imprudente. O trabalho de diligência existe não para eliminar os riscos — isso seria impossível — mas para mitigá-los, aprender com eles, conquistar confiança, reunir apoiadores e avançar. Coragem não é ausência de medo, é agir mesmo com medo. E só tem coragem quem tem algo a perder.
Se Elon coloca US$ 90 milhões num negócio e te convida como sócio apenas pelo seu trabalho, mesmo que o risco da empresa quebrar seja o mesmo para ambos, quem está se arriscando mais é ele. Da mesma forma, tomar riscos durante uma crise não é igual a fazê-lo em tempos de bonança. Em momentos de instabilidade, a maioria espera, observa, dá passos curtos. Mas é nesses momentos — como o atual, com juros altos, crédito restrito e incertezas geopolíticas — que as melhores oportunidades surgem para os mais agressivos.
A boa notícia é que ousadia e coragem podem ser treinadas. Segundo o professor da Harvard Business School, Ranjay Gulati, e seus colegas Nitin Nohria e Franz Wohlgezogen, essa habilidade pode ser desenvolvida. Na próxima edição de setembro da Harvard Business Review, eles apresentam os resultados de sua pesquisa com 4.700 empresas listadas em bolsa. Descobriram que 9% delas emergiram mais fortes das crises porque tomaram riscos calculados e investiram em crescimento, mesmo em tempos adversos. No final desenharam os métodos para estabelecer essa coragem.
E você, vai esperar a maré passar ou vai remar com tudo e pegar essa onda?
Este artigo faz parte da newsletter Cresça ou Desapareça, onde compartilho reflexões práticas sobre estratégia, decisões difíceis e crescimento real nos negócios. Toda semana, uma nova provocação para executivos, empresários e líderes que não querem apenas sobreviver, mas crescer com consistência.
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